O presidente da companhia explica que o setor de TI ainda está “dando os primeiros passos” e projeta uma nova etapa de crescimento baseada em soluções de automação e integração – e também no potencial do mercado brasileiro
O presidente da SAP, Leo Apotheker, tem uma visão peculiar sobre o atual momento do mercado global de softwares. Para ele, o setor ainda está longe de chegar à maturidade tecnológica - na verdade, está apenas "prestes a dar o primeiros passos". Em um conversa com cerca de dez jornalistas nesta semana, em Walldorf, na Alemanha, Apotheker explicou que o mercado está recém entrando em uma nova etapa de crescimento, a da automação e integração de sistemas de informação.
Na visão de Apotheker, a verdade revolução da TI virá com o pleno desenvolvimento da chamada "Internet of Things", ou IoT - sigla que designa a expressão "Internet das Coisas". A IoT se baseia na premissa de que, além de ligar pessoas e informações ao redor do mundo, a rede mundial de computadores também poderá interagir com objetos. Não por acaso, a SAP está determinada a continuar investindo somente em softwares - sem se aventurar na indústria de hardware. Nesse sentido, a América Latina e, especialmente o Brasil, tem importância estratégica para a empresa. Atualmente, o Brasil figura entre os dez maiores mercados da SAP no mundo. O objetivo é fazer com que o país fique entre os cinco maiores até 2012. "E por que não torná-lo nosso terceiro maior mercado? Há muito espaço para crescer no Brasil ainda", garantiu Apotheker a AMANHÃ.
A principal concorrente da SAP no Brasil é a Totvs que, no ano passado, adquiriu a catarinense Datasul e ficou com 40% do mercado nacional de ERPs - contra 23% da SAP. Na opinião de Apotheker, o ponto forte da rival está na boa capacidade de distribuição dos produtos no território nacional. No entanto, o executivo avisa que a empresa alemã já está trabalhando para melhorar seus canais no país. Para isso, a principal ferramenta será a internet. Hoje, a SAP já disponibiliza vários programas que podem ser configurados à distância. Apesar de não revelar valores, Apotheker diz que a SAP deverá investir alto no Brasil. "E vai ser uma soma muito maior do que se pode imaginar agora", avisa. É bem possível que a estratégia inclua um novo laboratório, que se somaria ao que está localizado no parque tecnológico da Unisinos, em São Leopoldo (RS). "O país é muito grande. Vamos dar um passo de cada vez", despista o executivo.
Aquisições - dentro ou fora do Brasil - não estão descartadas. Fontes de mercado afirmam que a SAP estaria negociando a compra da norte-americana Sybase. Apotheker nega, mas admite que a companhia tem interesse em recuperar o ímpeto de crescimento nos mercados desenvolvidos tão logo a economia se assente. "No futuro, chegaremos a ter até dois dígitos de crescimento", promete ele.