O setor de atacado já está adotando a destruição criativa de seus modelos de negócios, possibilitando novas oportunidades de gerar lucros e revolucionar os negócios. Estudos da IDC mostram que mais de 80% dos distribuidores e atacadistas no Brasil fizeram alguma modernização ao redor do i-ERP, porém apenas 1/3 das empresas do setor de distribuição estão em estágio avançado de sua transformação digital.

 

Por: Jerónimo Piña, Gerente de Pesquisa de Software e Nuvem, para IDC Latinoamérica

Luciano Ramos, Gerente de Pesquisa de Software e Serviços de TI para IDC Brasil

 

O atacado é um dos setores que mais tem enfrentado os desafios da globalização e da digitalização da economia, e espera-se que poucos sobrevivam apenas como intermediários.

A IDC acredita que os distribuidores e atacadistas estão numa encruzilhada entre a necessidade de evoluir e o risco de serem marginalizados, onde não é mais suficiente para servir estritamente como uma transferência de baixa margem entre o fabricante e o varejista.

As grandes cadeias já iniciaram o caminho da chamada “destruição criativa” de seu modelo de negócios, rumo às novas oportunidades que lhes permitirão gerar lucros. Para isso, essas empresas estão se reestruturando, criando novos serviços e integrando a Tecnologia da Informação (TI) para tornar seus processos mais eficientes.

Como exemplo dos novos serviços que estão incorporando, há a criação de lojas para venda direta para o consumidor final e o lançamento de marcas próprias, entre outras alternativas.

Hoje, na América Latina, estima-se que, em média, quatro em cada dez domicílios já realizam algumas de suas compras em lojas de atacado — movimento que também é visto no Brasil —, de modo que empresas de médio porte não podem ficar para trás. Eles também precisam desenvolver novos serviços e ofertas.

Como as grandes empresas, as empresas de médio porte estão confiando na TI para melhorar suas receitas, produtividade, custos e processos de negócios. Contudo, de acordo com os estudos que temos na IDC, somente 1/3 das empresas do setor de distribuição no Brasil estão em estágio avançado de sua transformação digital — um pouco acima da média do país, onde 24% das organizações se encontram nesse nível. Os outros 2/3 estão localizados nos estágios iniciais; isto é, eles têm iniciativas, mas elas estão desconectadas umas das outras. Tais iniciativas não estão alinhadas com a estratégia geral de negócios, ou são de curto prazo e, portanto, têm impacto limitado.

O uso do ERP inteligente ou do i-ERP permite que os empreendedores otimizem a automação de seus processos; não apenas na parte de administração, mas também em áreas sensíveis, como gerenciamento de estoque e armazenamento, centros de distribuição e logística. Ou seja, ao longo de toda a sua cadeia de suprimentos.

O estoque representa precisamente um dos principais desafios dos atacadistas – e um de seus principais ativos – devido a sua alta taxa de rotatividade. Nesse sentido, o i-ERP, além de automatizar seus processos, permite projetar a demanda de forma antecipada. Desta forma, ao aplicar as funcionalidades da inteligência de negócios, o i-ERP ajuda a proteger os negócios de crises devido à escassez de produtos ou variações de preço.

Além disso, o i-ERP ajuda a promover iniciativas de “inventário zero” para alguns produtos, conduzindo todo o processo e a comunicação com sua cadeia de suprimentos em tempo real, reduzindo custos para recursos ociosos e melhorando seus prazos de entrega.

Podendo ser implementado a partir da nuvem, o i-ERP ajuda as organizações a consolidar as informações de suas diferentes filiais e processos de negócios. Dessa forma, é possível reduzir os erros na captura de dados, facilitar as decisões baseadas em informações em tempo real e direcionar sua estratégia de transformação.

Os recursos de análise de informações permitem melhorar a precisão de suas previsões para atender com maior eficiência a demanda do mercado e reduzir os custos operacionais, além de aumentar a transparência em toda a cadeia de suprimentos, e melhorar a experiência e a colaboração em todo o ecossistema, desde o fabricante até o cliente final.

O i-ERP também facilita a integração de soluções disruptivas, como a Internet das Coisas (IoT), fazendo uso de sensores no manuseio de produtos e paletes em armazéns, integrando seus dados e gerando de relatórios em tempo real sobre o controle de estoque, úteis para as áreas de marketing e de relacionamento com fornecedores.

Além disso, o ERP inteligente pode aumentar os níveis de segurança na gestão de frotas, por ser capaz de agregar soluções de geolocalização, controlar remotamente a abertura de portas do transporte e da carga, monitorar sensores de IoT de alertas de roubo e sistemas para condução segura para os motoristas, entre outras soluções.

De acordo com projeções da IDC, mais de 80% dos distribuidores e atacadistas no Brasil fizeram alguma modernização da empresa ao redor do i-ERP, seja para melhorar seus sistemas de gestão, de finanças, de recursos humanos, da cadeia de suprimentos, de relacionamento com clientes (CRM), gerenciamento de projetos, análise ou mobilidade.

A IDC estima que a compra de software ERP por pequenas e médias empresas no setor de distribuição no Brasil vai crescer a uma taxa anual de 5,7% entre 2018 e 2021, enquanto o ERP na nuvem vai a uma taxa de 22,4% para o mesmo período.

Nessa evolução, os distribuidores e atacadistas devem adotar TI e modernizar seus processos de negócios para desempenhar um papel mais importante para seus clientes, que estão cada vez mais procurando parceiros para as áreas — críticas e não críticas — dos negócios.

Para que os atacadistas melhorem suas margens e oportunidades de receita, eles precisam “destruir” seu modelo de negócios anterior, criando novos serviços e ofertas. Precisam também avaliar seus níveis de maturidade em relação às melhores práticas e calibrar seus esforços nas principais tendências do mercado, a fim de impulsionar a transformação contínua do negócio e ser mais competitivo no mercado local, regional e global.

Fonte: SAP News