Horas não dormidas: entenda como o sono dos funcionários pode ser determinante para a produtividade das empresas -

Por: Christian Geronasso, especialista em Transformação Digital e SAP Leonardo

 

Horas não dormidas pode ser determinante para os resultados de uma empresa. Um estudo feito no ano passado revela que a América do Norte perdeu milhões de dólares devido à ausência de sono.

 

Em 2017 a América do Norte acumulou $ 63.2 bilhões de dólares em perdas de produtividade devido à ausência de sono. Esse é o resultado de um estudo¹ patrocinado por um dos principais laboratórios farmacêuticos dos Estados Unidos a Merck & Co., a qual chegou a conclusões interessantes como o fato de um trabalhador americano médio desperdiçar 11.3 dias, por ano, em resultado da falta de sono.

De acordo com o autor, professor Ronald C. Kessler, as pessoas não estão deixando de comparecer ao trabalho devido à insônia, mas estão entregando menos resultados durante as horas trabalhadas. Considerando que vivemos em uma economia orientada à informação é difícil pensar em uma habilidade mais importante que a atenção para a geração de produtividade.

Para o mantimento de seus níveis operacionais, seres humanos médios necessitam, além de nutrientes e líquidos, de 6 a 8 horas de sono todos os dias. Passamos um terço de nossas vidas dormindo, um processo de manutenção preventivo que se não for respeitado pode levar ao fim das funções vitais. No Japão o problema é crítico, em 2016 foi publicado o primeiro estudo sobre Karoshi², ou morte por excesso de trabalho. 12% das empresas que participaram da pesquisa reportaram que seus colaboradores chegam a extrapolar em 100 horas a carga mensal de trabalho. É uma cena comum encontrar trabalhadores desmaiados pelas calçadas e estações de metrô, principalmente na capital Tóquio.

Para evitar paradas inesperadas e correções emergenciais executamos manutenções preventivas em nossos carros, em nossas casas e até em nossa saúde. O momento tecnológico que vivemos abre um novo mundo de possibilidades para a gestão de ativos, sendo possível antever falhas com dias ou até meses de antecedência, combinando diversas fontes de informação.

A cada minuto o canal de previsões do tempo, The Weather Channel, recebe mais de 18 milhões de pedidos para previsão do tempo, o canal de streaming Netflix transmite 69 milhões de horas de vídeo e 3.6 milhões de pesquisas são realizadas no Google (imagem abaixo).    

Existem ainda muitas outras fontes de dados que não aparecem em gráficos coloridos, mas têm o potencial de causar impactos significativos no resultado da sua empresa. São as informações de utilização das máquinas na linha de produção, dos caminhões/ empilhadeiras e todo tipo de ativos que hoje são desperdiçadas. Por exemplo, automóveis, devem ser submetidos a manutenções periódicas, em 6 meses ou 10 mil quilômetros, seja o motorista cauteloso ou não. Todas as informações de como este ativo foi utilizado (aceleração média, velocidade máxima, velocidade de frenagem, etc), ao longo de do período é desperdiçada. As análises destes dados irão definir o momento que as manutenções devem ser realizadas, visando o melhor custo/ benefício para o proprietário. Pensando nisso o fundador do aplicativo Waze, Uri Levine, trouxe ao mercado o produto Engie. Após conectar um dispositivo na porta OBDII, disponível na grande maioria dos automóveis, é possível através de um aplicativo diagnosticar milhares de problemas nos automóveis. Em breve os próprios motoristas poderão definir o momento ideal para revisar seu veículo.

Voltando às máquinas, assim como bulas de remédio consideram um infindável número de efeitos colaterais de seus medicamentos, fabricantes de maquinário industrial sugerem a substituição de peças com uma visão extremamente conservadora. Ao invés de manutenções com base na utilização, são realizadas manutenções com base nas recomendações dos manuais, uma atividade longe de ser efetiva em custo.

Dados estruturados como indicador de eficiência dos equipamentos e umidade do ar, combinados com dados não-estruturados como publicações em redes sociais, quando correlacionadas por algoritmos inteligentes, podem prever paradas de acordo com um aumento repentino na demanda do mercado, sugerindo ações pontuais com base na utilização efetiva de cada ativo.

A Trenitalia, principal companhia de transporte ferroviário italiana que transporta mais de 2 milhões de passageiros todos os dias, utilizou algoritmos preditivos para identificar o melhor momento de realizar manutenções em seus trens de alta velocidade, que alcançam 360 quilômetros por hora. O custo anual de manutenções chega a 1.3 bilhões de euros, o diretor de tecnologia Danilo Gismondi³ declara que reduções de 8% a 10% nos custos de manutenção são esperados, totalizando 100 milhões de euros.

Precisamos nos atentar a qualidade do nosso sono, manter uma alimentação balanceada e praticar alguma atividade física com regularidade. E essa é a ordem de prioridades, a qual, se for modificada, certamente trará efeitos danosos ao bem-estar e, consequentemente, às possibilidades de desempenho seja em uma pista de corrida, seja atrás de uma escrivaninha.

Referências:

1 – Insomnia and the performance of US workers: Results from the AIS (http://bit.ly/2lPWPwl)

2 – White Paper on Measures to Prevent Karoshi, etc

3 – Trenitalia: Creating a Dynamic Maintenance Management System (http://bit.ly/TrenitaliaSAP)

Fonte: SAP